Atlântica Moderna: purus e negros - Ana Maria Tavares
5 de dezembro de 2014 a 8 de março de 2015
Terça a Sexta-feira: das 8h às 17h
Sábados e domingos: das 10h às 18h
Janeiro - Terça a Sexta-feira: das 8h às 18h
Em suas instalações e obras realizadas em vários meios e linguagens, a artista Ana Maria Tavares vem examinando os mais icônicos edifícios e jardins pertencentes ao legado modernista brasileiro – trabalhos de Oscar Niemeyer, Paulo Mendes da Rocha, Lina Bo Bardi e Roberto Burle Marx. Algumas dessas instalações, as quais a artista define como “realidades em suspensão”, estabelecem uma relação tensionada entre natureza, paisagem, arquitetura e modernidade. Entre elas, estão as instalações da artista no Brasil nos anos 1990: Porto Pampulha, 1997, criada para o Museu da Pampulha, antigo cassino projetado por Oscar Niemeyer com paisagismo de Roberto Burle Marx e, no ano seguinte, a exposição Relax’o’visions, criada para o Museu da Escultura em São Paulo, projetado por Paulo Mendes da Rocha. Na década de 2000, foram muitos os projetos realizados, tendo destaque em 2004 a instalação realizada em São Paulo, Enigmas de uma Noite com Midnight Daydreams e a obra Victorias Regias (para Naiha), no Toyota Municipal Museum; em 2008, Crystal Waters, exposição individual adquirida para a coleção Kröller-Müller Museum, na Holanda. Entre os trabalhos recentes, está o projeto de caráter colaborativo que a artista realizou em 2013 para a cidade de Fortaleza, no Ceará, o qual culminou na exposição Natural-Natural: Paisagem e Artifício, que claramente revela o direcionamento da obra da artista, o qual visa um exame minucioso das ideologias que subjazem o projeto moderno no Brasil. Ana Maria Tavares tem realizado inúmeras exposições no Brasil e no exterior e tem sido convidada como artista visitante por importantes instituições, como o Massachusetts Institute of Technology (MIT), o Humanities Research Center da Rice University e a University of California, Berkeley, nos EUA; a Universidad Nacional de Colombia, em Bogotá; e a TEOR/éTica, na cidade de San José, na Costa Rica. 

Nascida em Belo Horizonte, Minas Gerais, Ana Maria Tavares conviveu desde a infância nos espaços modernistas criados por Niemeyer e Burle Marx para a Pampulha, e teve uma experiência efetiva das relações evidentes entre arquitetura, paisagismo, pintura mural e escultura; e, sobretudo, da arquitetura praticada. Neste contexto, tal experiência, desde muito cedo, impactou a artista, contribuindo para o entendimento da natureza e da arquitetura como construções ideológicas, as quais passaram a ser referência para suas investigações teóricas e sua produção artística. Nas palavras de Ana Maria Tavares, “com Pampulha compreendi que paisagem era natureza e natureza, arquitetura. Muito antes de saber qualquer coisa sobre arte, sabia sobre Pampulha (…). Para mim, a paisagem é uma construção impregnada das ideologias de seu tempo e, portanto, investigá-la tornou-se o centro de minhas preocupações como artista”. 

A exposição Atlântica Moderna: Purus e Negros é um projeto de instalação especialmente criado em 2014, durante os meses em que a artista esteve em Houston, Texas/EUA, convidada pelo Humanities Research Center da Rice University, para realizar pesquisa e ministrar a disciplina “Brazil Built – the clinic, the tropical and the aesthetic”, em colaboração com a historiadora e crítica de arquitetura Fabiola López-Durán.

Para o Museu Vale, a artista parte do trabalho de ícones da arquitetura modernista: o austríaco Adolf Loos (1870-1933), o francês Le Corbusier (1887-1965), a arquiteta ítalo-brasileira Lina Bo Bardi (1914-1992) e os brasileiros Oscar Niemeyer (1907-2012) e Burle Marx (1909-1994). Numa instalação com esculturas, vídeo e peça sonora, a artista apresenta a natureza tropical como o locus para o entendimento da relação entre cultura e nação. Segundo a historiadora e crítica de arquitetura Fabiola López-Durán e Nikki Moore, da Rice University: “Enquanto natureza e cultura adquiriram um status binário, a obra de Ana Maria Tavares parece afirmar que natureza e artifício são um e o mesmo. Entre o humanismo e o pós-humanismo, entre o estilo branco e asséptico do modernismo e os ornamentos do “outro”, esta exposição revela o fascínio de Tavares pelas manobras da modernidade para reinar na natureza, desvendando as cumplicidades entre modernismo e ideologia em suas implicações políticas, sociais e biológicas.”

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