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| EXPOSIÇÃO TEMPORÁRIA |
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| Amazônia, a arte,
- Coletiva |
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| 19 de junho
a 05
de setembro
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| terças a domingos - das 10h às 18h; sextas - das 12h às 20h |
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No Ano Internacional da Biodiversidade, a Fundação Vale, por meio do Museu Vale, apresenta a exposição “Amazônia, a arte”. Tema recorrente na atualidade, nesta mostra coletiva a região amazônica é celebrada com o interesse maior em revelar artistas com atuações e trajetórias distintas, consolidadas ou em franco desenvolvimento, apresentando ao país obras extremamente genuínas e interessantes.
Idealizada por Paulo Herkenhoff, com curadoria de Orlando Maneschy, a mostra reúne 31 artistas que mantêm um vínculo primordial com a região amazônica: muitos deles nasceram, e em sua maioria vivem e trabalham, nas cidades da região Norte do Brasil, onde realizam pesquisas e desenvolvem seus trabalhos, conectando-se ao mundo por meio de sua arte.
A compreensão da diversidade cultural é fundamental para que se estabeleça uma relação respeitosa e produtiva com o meio ambiente. A Fundação Vale visa o desenvolvimento econômico, ambiental e social dos territórios onde atua, de forma a promover a melhoria da qualidade de vida das comunidades, trabalhando de modo integrado e respeitando as singularidades de cada uma delas. Com esta exposição, o Museu Vale colabora para a divulgação, circulação e visibilidade de uma arte originalmente brasileira, plural e contemporânea.
Fundação Vale
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In the International Year of Biodiversity, the Vale Foundation, through the Vale Museum, is presenting the exhibition, “Amazônia, a arte.” A recurring, current topic, our greatest interest in organizing this group exhibit of the Amazonian region is to reveal artists with different styles and diverse backgrounds — whether already consolidated figures or still undergoing development — who are presenting to the country works that are extremely genuine and interesting.
Idealized by Paulo Herkenhoff and under the curatorship of Orlando Maneschy, the exhibition brings together 31 artists who maintain a primordial connection to the Amazon region: many of them were born there, and the majority of them work and live in the cities of the North region of Brazil, where they conduct their research and produce their pieces, linking up with the world through their art.
Understanding cultural diversity is of fundamental importance in order to establish a respectable and productive relationship with the environment. The Vale Foundation seeks the economic, environmental and social development of all of the territories in which it is active, as a way of fostering improvement in the quality of life of the communities, working integrated with and respecting each of their singularities. Through this exhibition, the Vale Museum is collaborating in the dissemination, circulation and visibility of art that is at once originally Brazilian, plural and contemporary.
Vale Foundation
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Artistas
Hélio Melo (AC), Grupo Urucum (AP), Roberto Evangelista (AM), Naia Arruda (AM), Thiago Martins de Melo (MA). Do Pará: Acácio Sobral, Alexandre Sequeira, Armando Queiroz, Armando Sobral, Alberto Bitar, Berna Reale, Cláudia Leão & Leonardo Pinto, Dirceu Maués, Éder Oliveira, Edilena Florenzano, Elza Lima, Emmanuel Nassar, Lise Lobato, Luiz Braga, Maria Christina, Melissa Barbery, Marcone Moreira, Miguel Chikaoka, Otávio Cardoso, Patrick Pardini, Paula Sampaio, Walda Marques. Rondônia: Coletivo Madeirista (Joesér Alvarez, Ariana Boaventura e Rinaldo Santos), por Roraima Claudia Andujar, Orlando Nakeuxima Manihipi-Theri (da terra Indígena Yanomami em Roraima), Katie van Scherpenberg e Cildo Meireles.
CIRCUNSTÂNCIAS
1944
Aos treze anos tive o primeiro encontro com os “marcados para morrer”. Foi na Transilvânia, Hungria, no fim da Segunda Guerra. Meu pai, meus parentes paternos, meus amigos de escola, todos com a estrela de Davi, visível, amarela, costurada na roupa, na altura do peito para identificá-los como “marcados”, para agredi-los, incomodá-los e, posteriormente, deportá-los aos campos de extermínio. Sentia-se no ar que algo terrível estava para acontecer.
Em meio a esse clima de perplexidade, Gyuri me convidou para um passeio no parque. Foi uma confissão de amor. Só assim posso nomear o seu desejo de andarmos juntos. Era algo que fazíamos guiados pela intuição. Tratava-se de um passeio somente para me dizer:“Freqüentamos a mesma escola. Reparei em você. Você é especial. É bonita”.
Eu também o procurava, dia após dia, caminhando na rua, sempre na mesma hora. Sabia que o veria en passant. Sinto a emoção me apertar a garganta. Naquele dia de junho de 1944 decidimos nos encontrar e confessar nossos sentimentos.
O rapaz judeu estava marcado com a estrela amarela, o mogendovid. Ele tinha quinze anos e eu treze. Andamos emocionados, sem falar, olhando-nos furtivamente. Sabia que algo importante estava acontecendo. Era o nascimento do amor. Sentia um formigamento na pele. No fim do passeio recebi um beijo tímido e silencioso, que apenas tocou minha boca. Lembro-me de ter ficado com os lábios ardendo por horas seguidas. Um amor, em circunstâncias tão especiais, a gente nunca esquece.
Ao sair com Gyuri, publicamente, sabia que estava desafiando o meu tempo. Nunca mais o revi. Durante anos, guardei um retrato de Gyuri no medalhão que usava pendurado no pescoço.
1980
Quase quarenta anos depois, já vivendo no Brasil como fotógrafa engajada na questão indígena, acompanhei alguns médicos em expedições de socorro na área da saúde.
A partir de 1973, o território yanomami na Amazônia brasileira foi invadido com a abertura de uma estrada durante os anos do “milagre brasileiro”. Com a mineração, a procura de ouro, diamantes, cassiterita, garimpos clandestinos e não tão clandestinos, floresceram. Muitos índios foram vitimados, marcados por esses tempos negros.
Nosso modesto grupo de salvação − no começo, eu e mais dois médicos − se embrenhou na selva amazônica. O intuito era começar um trabalho organizado de saúde. Uma de minhas atividades era registrar, em fichas de saúde, a existência das comunidades yanomami. Para isso, pendurávamos placas com números no pescoço de cada índio: “vacinado”. Foi uma tentativa de salvação. Criamos uma nova identidade para eles, sem dúvida, um sistema alheio a sua cultura.
São as circunstâncias desse trabalho que pretendo mostrar por meio destas imagens feitas na época. Não se trata de justificar as marcas colocadas em seus peitos. Mas de explicitar que elas referem-se a um terreno sensível, ambíguo, que pode suscitar constrangimento e dor. A mesma dor que senti por amor ao pisar na grama do parque, um amor impossível com Gyuri.
Ele morreu em Auschwitz naquele mesmo ano de 1944.
2008
É esse sentimento ambíguo que me leva, sessenta anos mais tarde, a transformar o simples registro dos Yanomami na condição de “gente” − marcados para viver – em obra que questiona o método de rotular seres para fins diversos.
Vejo hoje esse trabalho, esforço objetivo de ordenar e identificar uma população sob risco de extinção, como algo na fronteira de uma obra conceitual.
Claudia Andujar
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Artists
Hélio Melo (AC), Grupo Urucum (AP), Roberto Evangelista (AM), Naia Arruda (AM), Thiago Martins de Melo (MA). Do Pará: Acácio Sobral, Alexandre Sequeira, Armando Queiroz, Armando Sobral, Alberto Bitar, Berna Reale, Cláudia Leão & Leonardo Pinto, Dirceu Maués, Éder Oliveira, Edilena Florenzano, Elza Lima, Emmanuel Nassar, Lise Lobato, Luiz Braga, Maria Christina, Melissa Barbery, Marcone Moreira, Miguel Chikaoka, Otávio Cardoso, Patrick Pardini, Paula Sampaio, Walda Marques. Rondônia: Coletivo Madeirista (Joesér Alvarez, Ariana Boaventura e Rinaldo Santos), por Roraima Claudia Andujar, Orlando Nakeuxima Manihipi-Theri (da terra Indígena Yanomami em Roraima), Katie van Scherpenberg e Cildo Meireles.
CIRCUMSTANCES
1944
I had my first encounter with the “marked for death” at the age of thirteen in Transylvania, Hungary, towards the end of the Second World War. My father, my relatives on my father’s side, my schoolmates… all of them had the yellow Star of David sewn onto their clothes. It was visible on their chests so that they might be identified as “marked”; in order to affront and disturb them and, later, for their deportation to the extermination camps. You could feel in the air that something terrible was about to happen.
Amid this climate of perplexity, Gyuri invited me for a walk in the park – an acknowledgement of love. Only thus am I able to name his desire that we should walk together. It was something we did that was guided by intuition. He took me on a walk to tell me: “We attend the same school. I noticed you. You’re special. You’re beautiful.”
Walking in the street I, too, looked for him, day after day, always at the same time. I knew what I would see in passing. Emotion catches at my throat. On that June day in 1944 we decided to meet and acknowledge our feelings.
The Jewish boy was marked with the yellow star, the mogendovid. He was fifteen and I was thirteen. We walked along without speaking, filled with emotion, exchanging fleeting glances. I knew something important was happening. It was the birth of love. My skin tingled. At the end of our walk, he gave me a shy, silent kiss that barely touched my mouth. Afterwards, I remember my lips burned for hours. One never forgets the special circumstances of such a love.
By being with Gyuri in public, I knew I was challenging my time. I never saw him again. For years I kept his picture in a cameo that hung from my neck.
1980
Nearly forty years later, living in Brazil as a photographer committed to the Amerindian cause, I was accompanying doctors on health care expeditions.
In 1973, during the years of the “Brazilian miracle”, Yanomami territory in the Brazilian Amazon was invaded by the construction of a road. With the mining – and the search for gold, diamonds and tinstone – clandestine (and other, not so clandestine) prospecting camps flourished. Many tribe members were victimized, marked by those dark times.
Our modest rescue group – initially, two doctors and I – penetrated deep into the Amazon jungle. Our objective was to lay the foundations for organized health care. One of my activities was to record the existence of Yanomami communities on health charts. To this end, we hung a plate with numbers from the neck of each tribe member: “vaccinated”. We were trying to save them. We created a new identity for them, undoubtedly a system that was foreign to their culture.
Such are the circumstances of this work that I intend to show in the images of that period. It is not a matter of justifying the fact that we marked them, but of specifying that the marks refer to a sensitive, ambiguous terrain that may cause embarassment and pain. The same pain I felt for my impossible love with Gyuri as I walked in the grassy park.
He died in Auschwitz that same year of 1944.
2008
Sixty years later, it is this ambiguous sentiment that leads me to transform the simple record of the Yanomami as “people” – marked to live – into a work that questions the method of labeling beings for various purposes.
Nowadays I consider that endeavor – an objective attempt to organize and identify a population under risk of extinction – to have been something that bordered on the conceptual.
Claudia Andujar
[English translation by Stephen Berg]
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Selvagem e contemporânea
A Amazônia ainda é um mistério. O inferno verde vem suscitando as mais variadas fantasias desde o início de seu desbravamento, a partir do encontro de Francisco Orellana com as guerreiras indígenas icamiabas, em um fluxo contínuo engendrado por seus diversos ciclos migratórios.
Inúmeros e inconstantes processos de integração aconteceram sobre a região de dimensões espetaculares e isolada dentro de si mesma e do país, a despeito da busca de conexão rodoviária que se estabeleceu a partir da segunda metade do século passado. Ainda assim, o continente amazônico é um território repleto de experiências ímpares, embora pouco conhecidas do resto do Brasil.
Suas cidades, em especial as capitais Manaus e Belém, encravadas na floresta, mantiveram estreita conexão com a Europa, o que garantiu a circulação de bens culturais que, somados à vivência do habitante do lugar, constituíram procedimentos de mestiçagem cultural, que se desenharam entre o contato com o continente europeu e a falta de integração nacional.
Diante desse contexto de isolamentos e fluxos, as singularidades de viver a região manifestam-se de forma particular na experiência estética dos artistas que habitam a Amazônia e operam em sistemas paralelos de arte, que ora os colocam também em proximidade com o resto do mundo, ora os mantêm desvinculados do trânsito operado no centro-sul do país, gerando, por vezes, uma instabilidade na produção, tanto artística, quanto de projetos institucionais para a arte.
Esta situação de fragilidade e inconstância é reflexo das políticas que se inscreveram na região ao longo de sua história, mas que, por outro lado, propiciaram uma produção artística menos comprometida com apelos do mercado e mais concentrada nas relações com seu lugar de pertencimento, sua luminosidade, suas peculiaridades socioculturais, fazendo com que artistas, tanto de forma coletiva, quanto individual, realizassem proposições densas, de grande potência, como as que se vê na mostra que se revela aqui, em Amazônia, a arte.
Neste conjunto, veremos artistas que vêm articulando proposições distintas. Convidamos o observador a adentrar com passos lentos, olhar com calma, como faz o nativo ao penetrar a floresta densa, e entender a luminosidade e riqueza cromática; perceber como as especificidades locais se apresentam em relação aos temas globais; compreender como as políticas são acionadas em suas micro ou macro questões.
Em Amazônia, a arte, vê-se um fragmento da produção contemporânea de rara densidade, visceral, autêntica, que se inscreve em um território peculiar e ainda pouco conhecido. Longe de querer lançar uma visão totalizante, a exposição aponta para a necessidade de se conhecer mais a região e o próprio país, e entender que aquilo que nos é estranho pode ser a chave para a compreensão de quem somos.
Orlando Maneschy
Curador
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Wild and contemporary
Amazônia continues a mystery. The “Green Hell” has aroused a wide range of fantasies since its discovery, starting with the encounter of Francisco Orellana with the indigenous Icamiabas warriors, through a continuous flow engendered by many migratory cycles.
Innumerous and often spectacularly big but inconsistent integration processes took place in the region, isolated from both themselves and the rest of the country, through attempts to establish road connections as of the second half of the last century. So, the Amazonian continent continues to be a territory replete with unusual experiences — however very little known to the rest of Brazil.
Its cities, especially the state capitals of Manaus and Belém, embedded in the forest, maintained close connections with Europe, assuring the circulation of cultural goods that, together with the living habits of the inhabitants of the region, constituted procedures for cultural crossbreeding, which developed as a result of the contact with the European continent and the lack of domestic integration.
In view of this context of isolation and flows, the singularities of living in the region became manifested in a special form through the esthetic experiences of the artists who inhabited Amazônia and operated in parallel systems of art, which at times put them in close proximity with the rest of the world, and at other times maintained them disconnected from the Center-South traffic of the country. This, at times, generated instability in production, both artistic as well as for institutional art projects.
The situation of fragility and inconstancy is a reflection of the politics of the region over the course of its history, but that on the other hand led to an artistic production that was less committed to the appeals of the marketplace and more concentrated on the relationship with place of origin, luminosity, socio-cultural peculiarities, thus leading other artists, in group or individually, to realize dense, very powerful proposals, such as those displayed in this exhibition, Amazônia, a arte.
In this overall project we will see artists who have been articulating very different proposals. We would like to invite the observer to come in and walk around slowly, view the works calmly such as would a native inhabitant who is penetrating a dense forest, and understand the luminosity and chromatic richness therein; perceive the local specifics that appear with regard to global themes; understand how policies are applied at the micro or macro levels.
In Amazônia, a arte, one sees just a fragment of contemporary production of rare density, something that is visceral, authentic, imprinted in a peculiar territory that is still very little understood. The idea is a long way from trying to present an overall vision; rather, the exhibition points towards the need to get to know the region and the country itself better, and to understand that this work, which may be strange to us, could actually hold the key to understanding who we are.
Orlando Maneschy
Curator
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AMAZÔNIA, A ARTE
Museu Vale exibe a visualidade da região amazônica
em mostra que reunirá obras de 32 artistas contemporâneos
A pluraridade da Amazônia no contexto da arte brasileira poderá ser conferida a partir de 19 de junho no Museu Vale - ES, quando será inaugurada a exposição AMAZÔNIA, A ARTE, idealizada por Paulo Herkenhoff, com curadoria de Orlando Maneschy. Pinturas, fotografias, objetos, vídeos e instalações irão compor a mostra que reunirá a produção de 32 artistas dos Estados do Amazonas, Acre, Amapá, Roraima, Pará, Rondônia e Maranhão, além de Claudia Andujar, Cildo Meireles e Katie van Scherpenberg, convidados especialmente para participar da exposição. A produção é de Maria Clara Rodrigues, da Imago Escritório de Arte.
“A Amazônia tem uma produção particular no contexto da arte brasileira e da cultura visual em geral” - afirma Henkenhoff. - “Sua singularidade se marca no modo como muitos artistas amazônicos trabalham sobre o gosto vernacular, materiais locais e sobre valores plásticos que são definidos como próprios. A questão da autoexpressão afeta grupos indígenas, sendo que alguns buscam construir um discurso através de videoarte, por exemplo. Existe uma longa tradição de modernidade e interesse em avanços tecnológicos. A produção de arte na região amazônica permanece como uma incógnita, apesar do razoável reconhecimento recebido por uma meia dúzia de artistas paraenses nas últimas duas décadas” - conclui o autor do projeto.
AMAZÔNIA, A ARTE não pretende ser uma visão totalizadora da produção artística da região - “o que seria sempre uma promessa de um resultado falacioso” - diz Herkenhoff, mas implica no levantamento das principais questões conceituais e políticas evidenciadas na arte produzida pelos artistas de cada um dos Estados que farão parte da mostra.
Tendo em vista a diversidade cultural da região, a Amazônia Brasileira, por sua dimensão gigantesca, salvo o Pará, é um arquipélago de situações culturais isoladas entre si e de todo o país. Esse isolamento implica pautas diversificadas na arte, em desenvolvimento institucional díspar, e diferentes graus de intensidade do ambiente da arte. Esse estado da arte e de seu sistema se constitui em desafios importantes, os quais, adequadamente enfrentados, podem trazer resultados significativos.
Para o curador Orlando Maneschy “o Brasil continua não conhecendo o Brasil, e muito menos a Amazônia, que ainda é vista como um celeiro de exotismos e ponto focal dos mais variados interesses. Esta imagem corriqueira de Amazônia, que circula na mídia, não permite ver a complexa riqueza de relações em que a estética se estabelece na vida desdobrando-se na produção artística. Esta exposição é uma oportunidade que o país tem de ver um pouco além, e conhecer artistas instigantes”, ele diz.
Visualizando as obras que farão parte da mostra, Maneschy destaca o trânsito dos artistas por diversas linguagens e como as questões presentes irão articular sobre a luminosidade e a cor, o espaço e a política. Como esses aspectos reverberam na obra de artistas que ora se detém sobre micropolíticas relacionais, e que irão dialogar com a própria história da região, e, por conseguinte, com a do país. “A potência desta exposição se apresenta na força com que essas obras atravessam questões estéticas e conceituais evidenciando como esses artistas pensam seu papel no mundo”, afirma o curador.
AMAZÔNIA, A ARTE atravessa várias gerações de artistas: de Hélio Melo, Emmanuel Nassar e Luiz Braga até jovens talentos, como a artista Melissa Barbery, que vem se destacando na produção paraense e fará um vídeo em Tucumã, na Estação Conhecimento, onde crianças e jovens frequentam aulas esportivas no programa Brasil Vale Ouro. Barbery apresentará ainda a instalação Low-tech Garden, em que se utiliza de objetos luminosos precários construindo um lisérgico jardim, falando da passagem do tempo.
A exposição requer um olhar pausado, atento, que se adapta a um percurso e ambiente novos, como quando se adentra na própria selva; esse princípio da luz se apresenta já no início, convidando o visitante a se permitir entrar com vagar, observar os detalhes, e isso nos é dado desde o primeiro momento, desde o primeiro passo. Um exemplo disso é o fotógrafo Patrick Pardini, que vem se dedicando nos últimos anos a uma densa reflexão sobre a flora amazônica, e apresentará o projeto “Arborescência”.
Patrick Pardini também realizará um trabalho especial na FLONA - FLORESTA NACIONAL DE CARAJÁS, que se tornou um exemplo de sustentabilidade no planeta. O artista incorporará esta nova série de imagens ao projeto ampliando o desenho que se configura numa crescente coleção. Sobre este trabalho, haverá um texto no catálogo especialmente escrito por Nelson Sanjad (doutor em História das Ciências na Amazônia pela Fundação Oswaldo Cruz; membro da diretoria da Sociedade Brasileira de História da Ciência; e historiador e pesquisador do Museu Paraense Emílio Goeldi, onde é atualmente coordenador de comunicação e extensão).
Hélio Melo (AC), Grupo Urucum (AP), Roberto Evangelista (AM), Naia Arruda (AM), Thiago Martins de Melo (MA). Do Pará: Acácio Sobral, Alexandre Sequeira, Armando Queiroz, Armando Sobral, Alberto Bitar, Berna Reale, Cláudia Leão & Leonardo Pinto, Dirceu Maués, Éder Oliveira, Edilena Florenzano, Elza Lima, Emmanuel Nassar, Lise Lobato, Luiz Braga, Maria Christina, Melissa Barbery, Marcone Moreira, Miguel Chikaoka, Otávio Cardoso, Patrick Pardini, Paula Sampaio, Walda Marques. Rondônia: Coletivo Madeirista (Joesér Alvarez, Ariana Boaventura e Rinaldo Santos), por Roraima Claudia Andujar, Orlando Nakeuxima Manihipi-Theri (da terra Indígena Yanomami em Roraima), Katie van Scherpenberg e Cildo Meireles.
O Museu Vale é uma instituição da Fundação Vale, a qual visa o desenvolvimento dos territórios onde a empresa atua, de forma a promover a melhoria da qualidade de vida das comunidades. Inaugurado em 15 de outubro de 1998, o Museu Vale já recebeu mais de um milhão de visitantes e sediou 32 importantes exposições, entre as quais, “Babel”, de Cildo Meireles (2006), com itinerância na Estação Pinacoteca do Estado de São Paulo, premiada com o Troféu da Associação Paulista de Críticos de Arte, como a melhor exposição do ano, e “Salas e Abismos”, de Waltercio Caldas (2009), que exibiu instalações do artista jamais vistas no Brasil. Através do Programa Educativo, o Museu Vale realiza workshops criados por arte-educadores convidados e ministrados por alunos universitários. Neste mesmo programa o Museu capacita jovens aprendizes em ofícios relativos à montagem e desmontagem das exposições.
Serviço:
Amazônia, a arte
Produção Maria Clara Rodrigues - Imago Escritório de Arte Ltda.
Museu Vale
Antiga Estação Pedro Nolasco s/n - Argolas - Vila Velha - ES - Brasil
Telefone: 55 27 3333.2484
Período: de 19 de junho a 5 de setembro de 2010
Horário: de terça a domingo, das 10h às 18h; sextas: das 12h às 20h
www.museuvale.com
Assessoria de Imprensa
Meio e Imagem
Tels: (21) 2533.4748 - 2533.6497
Contatos: Ana Ligia Petrone e Flavia Motta
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Museu Vale
Diretor
Ronaldo Barbosa
Coordenadora de Arte-Educação
Ruth Guedes
Produtora
Elaine Pinheiro
Museóloga
Agnes Scolforo
Gerente Administrativa e Financeira
Noyla Nakibar
Auxiliar Administrativo e Financeiro
Diogo Nunes
Estagiária de produção
Joana Bentes
Programa educativo
Alex Schmidel
Carla Santos
Claudia Oliveira
Helton Gomes
Rafaela Ribeiro
Regiane Vervloet
Renato Jacob
Estagiárias
Débora Ferreira
Gleiziane Leal
Luana Rodrigues
Raquel Lopes
Aprendizes
Daiene de Oliveira - Joana D’arc - Vitória
Dayane da Silva Oliveira - Jardim de Alah - Cariacica
Erlaine Souza Rivas - Soteco - Viana
Jader da Silva Matos - Paul - Vila Velha
Jemima Carvalho da Cruz - Bela Vista - Cariacica
Juliana Marvila Paz - Paul - Vila Velha
Juliano da Silva Gomes - Argolas - Vila Velha
Pedro Henrique Gomes de Barros - Jardim de Alah - Cariacica
Rainy Rodrigues de Oliveira - Argolas - Vila Velha
Weberson Lopes Junior - Jardim de Alah - Cariacica
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Fundação Vale
Diretor presidente
Silvio Vaz de Almeida
Gerente geral
Marco Barros
Coordenadora de território
Andreia Gama
Analista de território
Livia Zandonadi
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Museu Vale
Antiga Estação Pedro Nolasco, s/n - Argolas
Vila Velha - ES - Brasil
29114-920
Tel. 55 27 3333-2484
www.museuvale.com
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